
Não
cantarei a sorte, nem maldirei a morte
nem
direi: homens para trás... não se matem
Não
tentarei eregir casa, porque um dia terei asas
Não
falarei da bomba, nem lamentarei
Não
lançarei novas idéias
porque
muitas dúvidas virão ee novas dúvidas
mais
guerras trarão e com novas guerras
muitos
idiotas morrerão, com novas mortes
mais
pessoas chorarão e se todos morrerem
não
haverá ninguém a chorar por ninguém
e
tudo virá a ser o que era antes...
Serei
talvez o aço que fere
ou
a mão que diz espere, a alguém que parte...
terei
apenas do dom de ser e não existir
e
nada hei de sentir, serei perfeita
haverá
em meu lugar, apenas o vácuo,
imenso,
frio, inexistente ao dizer
gritar,
onde está você, seu demente?
