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+ de 50 A
vitrola ainda toca Em meio a móveis
velhos E recordações
recentes. Até a velha lamparina gasta pelo querosene, Já sem uso, fixa na parede suja envolve o salão com sua
meia luz e vultos do passado cobrem paredes e móveis manchados do tempo e da
tristeza
como se neles impregnados
estivessem gritando em seu silêncio
cru sua passagem sua estadia na vida e nos
pensamentos de cada um destes velhos
corações solitários. “Você é o culpado de
toda a minha angústia ......” Vão pelo tempo dispersos em sentimentos
vários, em recordações
diversas, de mente e de pele, divagando nos sonhos que
desmoronaram, indo no tempo de ré, perdidos em suas lembranças. “Você é o culpado de minhas inquietudes ......” E que fazer
sem elas ? Como acalmar o coração prestes a romper-se de tão carregado de
amor prá dar ? Como não dizer o que se
sente? E dizer a quem que não
se sente o que se sente ? Como calar-se diante da
sufocante espera? Como calar o desejo de
sentir novamente todas aquelas emoções
? Porque fugir da dor se
esta dor é que se quer ? Vê-se em cada um destes
rostos sofridos O quanto
pulsa forte o coração no
peito: uma lembrança
volta, um desejo renasce, uma esperança chega. O tempo é o
juiz? Passou do tempo ? Não pode
mais ? Cigarros morrem um a um
nos cinzeiros lotados, Lágrimas furtivas rolam
sobre rostos frágeis e a música
implacável toca : “ Você é minha
esperança... minha última esperança......” Em pensamentos
vários nasce a mesma pergunta: Que faremos
sem isto ? Sem este esperar? Sem
esta possibilidade? Que remédio nos resta senão a esperança que, pacientes ou
impacientes, dóceis ou indóceis Cura a nossa dor? Cigarro após
cigarro, fumaça pelo ambiente sombras pelas paredes
sujas de lembranças limpas e doces recordações de sofrimentos atrozes, vinganças abandono, desespero, arrependimento, assustam a
lua amiga dos eternos
amantes que foge com seu
clarão de fogo para não destruir as
velhas esperanças que por passar-se dos
cinqüenta sempre parecem ser as últimas. A luz se faz mais
fraca, os rostos se contorcem. Choram alguns, Deliram outros. Riem muitos sem bem saber porquê. Recordam suas histórias,
únicas e incríveis que o amor
ou o ódio fizeram renascer das
cinzas. Pacientes ou
impacientes, doídos, fôlego reteso, respiração suspensa ouvindo vozes a lhes
dizer: Tudo vai renascer, tudo vai voltar, alguém vai surgir, vai revelar-se, apaixonar-se por
você permitindo , sem dúvidas que você se apaixone
por ela. Porque é
disto que sua vida precisa. É por isto que sua
vida espera: Todos os
seus sonhos cinqüentões
resumidos na esperança de ver outra vez seu coração sorrir, abraçado a outro coração. Monique (Aroma de Rosas) 31/08/2004 |