Na calçada  fizeste tua cama

De jornal e papelão forrada.

Cobriste o corpo de trapos encardidos

Anestesiaste a carne  com a bebida  forte

E adormeceste!

 

Do corpo esguio, bonito e bem tratado,

Manchaste a cor, envelheceste a pele.

Teus olhos pálidos escondem hoje

o brilho forte outrora tão cobiçado

e os lábios teus, sorrir já  não conseguem.

 

Tornaste-te um trapo

De roupas e  de carne.

Embriagaste a pele com o odor do álcool.

Entorpeceste a mente

Com a droga e  a bebida

 

Nem o orgulho que dantes ostentavas

Te ampara o porte

Ou te sustenta a fala.

 

Gaguejas  pragas e declamas preces

Confuso na  alma,

Sem rumo ou diretrizes

 

És hoje o mendigo,

O farrapo humano

Que ontem orgulhoso

Dirigia o mundo.

 

Calou-se o verbo

Antes tão solto e convincente,

Abaixou-se a voz

Antes tão prepotente.

Pedes favor

Onde dantes , irado,

vomitavas  ordens.

 

Que é da vida que te  foi ofertada?

Onde  aqueles que te rodeavam?

Que é do lar que  imponente ergueste?

Onde tuas  glórias ?

 

  Que fizeste  do ouro

Que , outrora ,  te fazia  rei

Poderoso, dono  e senhor

De todas as vontades?

Que te trazia  à casa

A mesa farta,

conforto

E   vida  fácil ?

 

Destruiu-te!

 

Como destrói

quem dele não sabe fazer uso!

Como aniquila quem

por ele a ele

se escraviza !

 

Monique

(Aroma de Rosas)

3/8/04