MORFEU

 

Abro a porta do quarto,

afobada e afoita

à procura do corpo

que aquecerá o meu.

 

Nada  vejo, nada há.

Só um vazio imenso

Preenchendo-me a cama.

 

Este vazio tem um nome:

Nome de divindade,

etéreo

invisível

e constante

que me acarinha

e  adormece.

 

Convenço-me

numa fração de segundos

de que espaço não tem nome.

 

Vazio é uma questão de física

e não de físico.

 

Vou ao leito encontrar-me com os sonhos

Aconchegar-me nos braços de Morfeu

fiel companheiro de todas as noites,

amigo calado,

secreto,

completo.

 

Somos fieis um ao outro.

Juramo-nos amor eterno

e cumprimos nosso trato

embora me traia com todas

e  todos,

volúvel e insatisfeito,

todas as noites de minha vida.

 

Sou-lhe fiel mesmo assim

Não posso dormir sem ele.

 

Ele embala-me o sono.

Povoa-me os sonhos

de presente,passado e futuro

como se futuro, passado fosse

e passado sequer tivesse existido.

 

Monique ( 10/04/2005)