Se não enxergas quem te tem amizade
Se és incapaz de distinguir entre o bem e o mal. ?
Pra que serve esta boca grande
Se dela só saem calúnias
Só saem mentiras
Que julgas verdades?
Pra que serve este corpo tão grande
Se nele existe um coração tão pequeno
Um sentimento tão egoísta?
De que servem estes braços tão fortes
Se deles não nascem abraços verdadeiros
Não sabem proteger a amizade?
De que servem estas mãos tão firmes
Se apunhalam quem lhe quer bem ,
Se escrevem frases que magoam ?
De que servem este nariz e estes ouvidos
Que não podem mais sentir o aroma das rosas
que não podem mais ouvir as palavras amigas?
Como é curta a memória
De quem coração repleto de ódio,
Peito cheio de ressentimentos,
Olhos cegos diante da verdade,
Acusa irresponsavelmente.
Como é pobre o ser que eu julgava
um homem rico de personalidade e afeto!
Como é pequeno o homem que eu julgava
grande na sua solidão e infinito na sua bondade !
Como lamento que nada exista nele
Que me faça crer que seja diferente do que foi!
Como sinto ter sido sua confidente,
Quando em momentos de dor procurava por mim
E eu o acolhia, serena, sem me importar
se era ou não era o que dele diziam.
Como me entristeço
Ao ver que nele não existe afeto
E que por um bem-querer procura
Insensato e incontido
Desesperado até
Por um amor qualquer
Por alguém que não lhe quer.
Matou num um golpe só
A amizade que nascera como a rosa
Tranqüila, pacífica, singela e coberta de orvalho.
Não sentirá mais o Aroma das Rosas
Porque nela pisoteou sem sequer considerá-las.
Foi cruel, inconseqüente e irresponsável.
Julgou!
Julgou somente
E se esqueceu
De que em outras mãos
Em outros dias
Havia entregue
O que a mim entregou.
Alguém mais sabia.
Não só eu.
Pouco importa agora !
Não haverá mais aroma de rosas
Nem no jardim da net
Nem na lagoa onde vive.
Morreram-se as rosas
De tristeza.
Doloridas ainda
Pela injustiça
Que sua inconseqüência praticou.
Não brotarão de novo.
Não permitirei.
Hei de arrancá-las uma a uma
Quando quiserem nascer
e ele ?
Ele será para sempre o algoz
O pretenso e falso juiz
Aquele que matou!
Monique
(23.09.2004)